Você entra no
www.myspace.com/fresnorock e o nome da banda e do novo CD, Revanche, aparecem piscando como um luminoso. Desce a página, e vê uma imagem dos quatro integrantes enfileirados - Bell, Lucas, Vavo e Tavares - com as respectivas mensagens publicadas no Twitter para os milhares de seguidores.
Lucas Silveira, vocalista e guitarrista, é o mais (per)seguido da banda, com quase 370 mil fãs que leem, diariamente, as memórias, crônicas e declarações de amor do
jovem poeta - e ele ainda mantém o blog
Romance em Apuros, que conta com bons números de visitantes.
A maioria das letras da Fresno é composta por ele em parceria com o baixista Tavares. Talvez seja esse trabalho a dois que garanta o jeito único com que a banda diz o que a garotada sente.
Lucas vai narrando as histórias
consideravelmente autobiográficas, em letras muito sinceras e bem colocadas, entremeadas por gritos rasgados de Tavares, quase sempre com palavras de ordem ou de desespero. No show aqui de Santos, o som estava absurdamente alto e não se ouvia nada do que Tavares cantava. Mesmo assim, o público vibrava com cada palavra e fazia o favor de traduzir para os "menos fãs-olhares curiosos-o que estou fazendo aqui" que Fresno é pop até a alma - do número de fãs enlouquecidos ao discurso "sou rock, mas to na moda" que Lucas proferiu no meio da noite.
De qualquer forma, o cara escreve bem, e esse é um dos ingredientes de mais valor na tentativa da Fresno de trilhar um caminho de gente grande.
Mas, voltemos ao MySpace. Escutei durante um tempo as músicas por lá, e posso dizer que meus ouvidos foram adestrados pro show. Quer dizer, o que estava no palco era exatamente o que eu ouvi no meu quarto enquanto
sofria com fazia meu TCC. O setlist só tinha espaço para algumas novas, alguns hits e nada mais. O show, aliás, foi curto (e não fui só eu que achei), e deu a impressão de que esse modelo ainda está em fase de teste, já que a banda começou a turnê do Revanche há apenas um mês.
Apesar das condições adversas (som alto, show milimetricamente planejado, e um caso pessoal de tentativa de esmagamento), a banda conseguiu mostrar, despejando um balde de
hits em cima da galera, que foi feita para estar no palco. E quanto maior o palco, como o do Bon Jovi, melhor. Aliás, Lucas discursou (mais uma vez) sobre as pessoas que "pagam pau pra banda gringa" e não valorizam o que tem aqui, a cultura brasileira. Também agradeceu aos guris que foram curtir um verdadeiro show de rock, que valorizam o rock nacional e etc. Aí tenho que discordar, caro Lucas.Vocês estão em uma realidade
pop,
mainstream e coisa e tal. Ter uma roda punk de cinco amigos no meio do show não te faz rock and roll.
Porque fui ao show da Fresno - Acho justo dizer que Fresno é pop e/mas é bom. Minha vida mudou (!) depois que eu li essa incrível
entrevista do Lucas na revista Rolling Stone BR, na qual ele encerra dizendo que os sonhos são altos, a ponto de querer tocar na abertura das Olimpíadas de 2016. Essa foi a principal razão de eu ter ido ao show. Uma banda pop, que era emo, que tocou com Chitãozinho e Xororó, que participou do DVD do Roupa Nova, que abriu show do Bon Jovi, que é gaúcha, que tem letras lindas
(e um baixista também) hehe. Para pra pensar; há alguma coisa de revolucionária aí.
E se há uma banda preparada para ocupar esse lugar digno de louros (se tornando uma lenda do pop rock brasileiro) - carente de pessoas sinceras com
tendências roqueiras desde a década de 80 [bons tempos de Lulu Santos] - é a
Fresno.